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Perdido em Marte

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Com um elenco recheado de atores conhecidos do grande público, Perdido em Marte acompanha a saga de sobrevivência de Mark Watney (Matt Damon), que foi abandonado em Marte após ter sido creditado como morto num acidente provocado por uma tempestade de areia, ocasião em que toda a equipe de sua expedição teve que emergencialmente sair do planeta vermelho.

O filme tem uma pegada de aventura digna de uma clássica sessão de matine. Espirituoso, difere-se dos blockbusters que dominaram o mercado hollywoodiano nos últimos anos, sempre calcados em tramas maniqueísta e num sisudo pseudorrealismo/sombrio. Quem sabe se ao lado de Mad Max: Fury Road e Guardiões da Galáxia, represente uma nova tendência na indústria cinematográfica.

Assim, o filme se divide em três subtramas. A primeira é a do náufrago que tem que sobreviver na ilha deserta com os escassos recursos que lhe há a disposição. A segunda, do Comando da Missão na Terra tentando achar a melhor solução para manter Mark Watney vivo e estabelecer um plano de resgate possível. E a terceira subtrama é da tripulação que deixou Marte, que se vê abatida por ter que voltar para casa com um homem a menos.

Outra coisa periférica, mas que definitivamente é uma tendência em Hollywood, é a presença positiva da China no filme. Visto que os números de arrecadação em bilheteria do país mais populoso do mundo estão se equiparando com aos valores do mercado americano, tal presença se torna cada vez mais comum.

Posto isto, Perdido em Marte é um filme feel good com um discurso propagandista para a ciência, mostrando como o conhecimento científico é a melhor ferramenta para a resolução dos problemas da humanidade.

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Nota: 8/10

IMDb: 8,1/10 (Metacritic: 8/10) – Rotten Tomatoes: 8,6/10 (Crítica: 7,8/10 – Top Crítica: 8/10)

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Ligações:

Náufrago – tag: “numa ilha deserta”.

Até o Fim – tag: “sobrevivendo até o fim”.

Gravidade – tag: “à deriva no espaço”.

Apollo 13 – tag: ‘‘Houston, we have a problem”.

Interestelar – tag: “Matt Damon”, “Perdido no buraco de minhoca’.

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Ficha Sintética:

Nome original: The Martian– Ano: 2015 – Direção: Ridley Scott.

Roteiro: Drew Goddard – Baseado no livro homônimo de Andy Weir.

Estrelando: Matt Damon, Jessica Chastain, Kristen Wiig, Jeff Daniels, Michael Peña, Sean Bean, Kate Mara, Sebastian Stan, Aksel Hennie, Chiwetel Ejiofor, Sean Bean, Benedict Wong, Mackenzie Davis e Donald Glover.

Brooklyn

Brooklin

Em 1950, atraída pela promessa de uma vida melhor na América, a jovem Eilis parte da Irlanda navegando seu caminho rumo ao bairro do Brooklyn em Nova Iorque. Depois de uma difícil adaptação, envolvendo depressão e saudades da vida que deixou, ela vai se envolver em um romance que mudará sua relação com a nova terra. No entanto, quando o passado volta a sua vida, terá que escolher entre dois países e duas vidas que existem dentro de cada um deles.

Embora, seja um daqueles romances ingleses que flertam com o melodrama, “Brooklyn” é um interessante retrato de uma época, seja pela história de emigração nos Estados Unidos, seja pelo papel que mulher exercia naquela sociedade.

Em um ano (2015) que a questão da mulher esteve em pauta no cinema, tanto nas telas quanto fora delas, “Brooklyn” soa um tanto que anacrônico. Também pudera, o filme se passa num período histórico que a mulher ainda tinha um espaço mais limitado e o pesamento patriarcal era latente, vide a urgência que se dava ao casamento.

Contudo, quando se enfoca na época em que se passa o filme, percebe-se que há muitas diferenças entre a vida numa pequena cidade da Irlanda e Nova Iorque. Durante o longa são mostradas mutias cenas rimam entre si, destaca-se como uma das mais interessantes a antítese do trabalho que Eilis tinha em uma mercearia da sua terra natal com o emprego numa joalheria americana, seja no ambiente físico, na relação com os clientes e com a chefe.

Em fim, um filme que muitos pejorativamente taxem como “filme de menininha” e típico drama inglês, contudo, com uma impagável referencia ao Joe Pesci.

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Nota: 7,0/10

IMDb: 7,7/10 (Metacritic: 8,7/10) – Rotten Tomatoes: 8,4/10 (Crítica: 8,6/10—Top Crítica: 9/10)

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Ligações:

Gangues de Nova Iorque – tag: Nova Iorque, 1863.

Um Sonho Distante – tag: “imigração irlandesa”, 1893.

Titanic – tag: ‘‘imigração”, “papel da mulher”, 1912.

Educação – tag: “papel da mulher”, década de 1960.

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Ficha Sintética:

Nome original: Brooklyn – Ano: 2015 – Direção: John Crowley.

Roteiro: Nick Hornby – Baseado no livro homônimo de Colm Tóibín.

Estrelando: Saoirse Ronan, Domhnall Gleeson, Emory Cohen, Jim Broadbent, Julie Walters, Fiona Weir, Jessica Paré, Eve Macklin, Brid Brennan, Fiona Glascott, Jane Brennan, Nora-Jane Noone, Jenn Murray, Eva Birthistle, Michael Zegen, Eileen O’Higgins.

O Regresso

O Regresso

O Regresso é inspirado na folclórica história do extrativista de peles Hugh Glass, que no ano de 1823 cumpriu uma incrível jornada de sobrevivência por seis semanas após ter sido brutalmente atacado por um urso.

Comprando com a história brasileira, pode-se dizer que Hugh Glass era uma espécie de bandeirante, visto que participava de incursões que desbravavam o interior selvagem dos Estados Unidos em meio a relações hostis com os indígenas, para caçar animais com o visando o comércio de peles.

O filme é todo rodado fora de estúdios e só com o uso de iluminação natural, fato que dá muito destaque ao trabalho do diretor de fotografia Emmanuel Lubezki, que tentará o terceiro Oscar seguido com esse filme.

O Diretor Alejandro G. Iñárritu, traz algumas repetições de Birdman, seu filme anterior, como longos planos sequências e cortes de câmeras, quando por exemplo, focaliza o céu para retomar ao mesmo cenário com uma passagem de tempo.

No entanto, o filme está longe de ter o ritmo frenético e diálogos sucessivos como Birdman. Pelo contrário, trata-se de um filme bem mais contemplativo e silencioso, conforme demanda a paisagem inóspita e gélida em que a história se passa.

Além disso, o longa é demasiadamente pontuado por cenas alusivas a alguma forma de renascimento, onde o personagem principal tem que emergir de alguma coisa que o enclausura.

Do mesmo modo, é interessante observar no filme o “espírito aventureiro” que permeia a imagem propagada do que é ser americano, principalmente no que consiste em desbravar e expandir.

Em fim, trata-se de uma história de obstinação, com uma grande atuação de Leonardo DiCaprio e a presença dos competentes e ascendentes Tom Hardy e Domhnall Gleeson. E um quê pretensioso que sempre se faz presente nos filmes do Iñárritu.

Nota: 7,5/10

IMDb: 8,3/10 (Metacritic: 7,6/10) – Rotten Tomatoes Audiência: 8,4/10 (Crítica: 8,9/10—Top Crítica: 8,2/10)

Ligações:

Barry Lyndon – tag: “iluminação natural”.

A Missão – tag: “no Brasil”.

Birdman – tag: Alejandro G. Iñárritu, Emmanuel Lubezki.

Ficha Sintética:

Nome original: The Revenant – Ano: 2015 – Direção: Alejandro G. Iñárritu.

Roteiro: Mark L. Smith e Alejandro G. Iñárritu – Baseado no livro homônimo de Michael Punke.

Estrelando: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson, Will Poulter, Forrest Goodluck, Paul Anderson, Kristoffer Joner e Joshua Burge.

Os Oito Odiados

“Você não faz ideia de como é ser negro hoje em dia na América. O único momento que estamos seguros é quando os brancos ficam desarmados. E essa carta tem o efeito desejado de desarmar os brancos”.

Alguns anos após a Guerra Civil, uma carruagem atravessa as gélidas montanhas do oeste americano. A bordo o caçador de recompensas John Ruth (Kurt Russell) leva sob sua custódia a fugitiva Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), com o objetivo de entregá-la as autoridades que colocaram sua cabeça a prêmio na cidade de Red Rock.

Ao longo da estrada, eles acabam por dar carona a dois estranhos: Maior Marquis Warren (Samuel L. Jackson), também caçador de recompensas e Chris Mannix (Walton Goggins), que afirma estar indo para Red Rock para tomar posse do cargo de xerife da cidade.

Diante de uma nevasca, eles buscam refúgio na casa de Minnie, local costumeiro de parada entre viajantes do percurso. Chegando lá, são recebidos por quatro rostos desconhecidos. Bob (Demian Bichir), que está cuidando do estabelecimento na ausência dos donos, Oswaldo Mobray (Tim Roth), o carrasco de Red Rock, Joe Gage (Michael Madsen) um vaqueiro, e o general confederado Sanford Smithers (Bruce Dern).

Esses são os oito odiados do título.

A primeira vista tendemos a ter uma expectativa de ser mais um filme na linha do seu antecessor “Django Livre”, pois de certa forma, também acompanhamos uma história de caçadores de recompensas numa ambientação western. E se em “Django Livre”, somos apresentados a todas as tensões pré-guerra civil americana (também conhecida como Guerra de Secessão), aqui vemos as tensões e traumas do pós-guerra.

Contudo, também percebe-se muito do primeiro filme do Tarantino: “Cães de Aluguel”, com um grupo de pessoas isoladas num ambiente fechado e desconfiadas da presença de um inimigo entre elas. Sendo assim, um filme praticamente todo ele sustentado em seus diálogos.

No mais, temos outra parceria com icônico Ennio Morricone na trilha incidental e como já de costume uma ótima seleção musical.

Em fim, trata-se de uma produção com a marca de Tarantino, quem gosta do trabalho do diretor não vai se decepcionar em assistir Os 8 Odiados.

Além disso, no final cabe a reflexão se a “carta de alforria” assinada pelo Presidente Abraham Lincoln é uma mentira ou não, pois será que hoje em dia ainda temos brancos armados perante os negros?

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Nota: 8,0/10

IMDb: 8,1/10 – Metacritic: 6,9/10

Rotten Tomatoes Audiência: 7,8/10 – Crítica: 7,5/10—Top Crítica: 7,3/10

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Ligações:

Cães de Aluguel – tag: Tarantino; “isolados com o inimigo”.

Django Livre – tag: Tarantino; “antes da Guerra Civil”.

O Bom, o Mau e o Feio (Três Homens em Conflito) – tag: Ennio Morricone; “durante a Guerra Civil”.

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Ficha Sintética:

Nome original: The Hateful Eight

Ano: 2015

Direção e roteiro: Quentin Tarantino

Estrelando: Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh, Walton Goggins, Demián Bichir, Tim Roth, Michael Madsen e Bruce Dern.

Participações: James Parks, Dana Gourrier, Zoë Bell, Lee Horsley, Gene Jones, Keith Jefferson, Craig Stark, Belinda Owino e Channing Tatum.

Mad Max: Estrada da Fúria

“Aonde devemos ir, nós que peregrinamos por este deserto, em busca do melhor de nós mesmos?”

mad max

Em um mundo colapsado por um cataclisma nuclear, num cenário desértico onde a humanidade está quebrada, Max Rockatansk (Tom Hardy) vaga sozinho.

No entanto, ele acaba sendo capturado e, posteriormente, levado por um comboio em perseguição a um carro de guerra dirigido pela Imperatriz Furiosa (Charlize Theron).

Acontece que Furiosa empreendeu fuga de Cidadela, um local governado sob o véu da teocracia por Immortan Joe, levando consigo algo insubstituível e de inestimável valor para ele.

Ensandecido o Immortan Joe mobiliza seu exército de devotos, convoca as tribos vizinhas (Vila da Gasolina e Fazenda da Bala) para iniciar uma caçada à rebelada Furiosa através do deserto.

À primeira vista, Mad Max: Fury Road parece mais um filme de ação em meio a tantos outros. Entretanto, ele é um respiro para a mesmice que tomou conta do gênero nos últimos anos. Em vários aspectos.

Primeiro que a ação não é construída na pós-produção. As sequências foram concebidas no próprio set de filmagens, com os carros em movimento, locações reais, dublês e efeitos práticos. E isso faz toda a diferença para que as cenas sejam inteligíveis ao espectador.

Evidente que a computação gráfica está presente, mas foi utilizada dosadamente e de modo subsidiário. Não há, por exemplo, a corriqueira prática de escurecer a fotografia do filme para melhor disfarçar a inserção elementos digitais. Pelo contrário, Mad Max é bem solar, usa cores quentes para melhor explorar a ambiente desértico e o azul nas cenas noturnas.

Outro diferencial é que o filme não menospreza o espectador. Nada de explicar tim-tim por tim-tim porque as coisas são do jeito que estão apresentadas. Toda uma mitologia é apresentada fora da trama principal através do designer, direção de arte e contextos.

É possível interpretar, por exemplo, que nesse futuro distópico depois da água, petróleo e armas, agora são os seres humanos saudáveis que passam a ser o principal objeto de desejo do mundo, pois não adianta ter poder com o monopólio de alguma das commodities tradicionais se não há sobre quem governar e a quem transmitir legado.

Immortan Joe tem filhos defeituosos, uma população envelhecida e um grande contingente de meias-vidas, denominação dada a população de jovens com baixíssima expectativa de vida. E Furiosa lhe roubou a sua maior esperança de gerar filhos saudáveis.

Outrossim, nos é mostrado uma grande coisificação do homem como amas de leite reduzidas a vacas leiteiras, doadores a bolsas de sangue, mulheres férteis a parideiras e meias-vidas a homens-bomba “kami-crazy”.

O filme também traz uma grande crítica ao fundamentalismo religioso, mostrando para tal uma nova religião que se desenvolveu naquele mundo. A primeira vista pode até parecer risível, pois explora gostos pessoais de Immortan Joe, como junk food, heavy metal e automobilismo, mas ela é capaz de doutrinar a mente jovens para que esses estejam dispostos a morrerem pelo seu líder, buscando garantir um lugar além dos portões de Valhala.

Por último, e talvez o maior diferencial de Mad Max: Estrada da Fúria é o tratamento digno que deu as mulheres. Em outras palavras, o filme justifica a presença das personagens feminais por elas mesmas, tendo suas próprias questões na história.

A mulher não aparece como uma figura acessória, como ferramenta de roteiro que serve apenas de tensão sexual ou interesse amoroso ao personagem masculino, ou mesmo para preencher cotas em meio a uma multidão de homens tal como normalmente acontece nos filmes de ação, e muito menos “masculinizada” para participar da ação como se homem fosse.

Em fim, um grande filme, que devolve uma sensação de entusiasmo pelo cinemão de matine, da tela grande e som estrondoso. Sensação perdida ao longo de anos com filmes formulaicos, pragmáticos e que pouco se arriscam para inovar, tanto na forma, quanto no conteúdo.

Nota: 9,5/10

IMDb: 8,6/10 – Metacritic: 8,9/10
Rotten Tomatoes Audiência: 8,8/10 – Crítica: 8,7/10 – Top Crítica: 8,6/10

Ligações:
Mad Max – tag: “o melhor do Mad Max antigo”.
Dredd – tag: “futuro distópico pós-nuclear”, “ação honesta”.

Ficha Sintética:
Mad Max: Fury Road
Ano: 2015
Direção: George Miller
Roteiro: George Miller, Brendan McCarthy e Nick Lathouris.

Estrelando:
Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult e Hugh Keays-Byrne.
Riley Keough, Rosie Huntington-Whiteley, Zoë Kravitz, Abbey Lee e Courtney Eaton.
Nathan Jones, Josh Helman, Richard Carter, John Howard, Megan Gale, Melissa Jaffer, Jennifer Hagan e Iota.