Arquivo da tag: cheryl strayed

Livre

“Os problemas não permanecem sempre como problemas, eles se transformam em outras coisas”.

Livre - Wild

O filme mostra a jornada de Cheryl Strayed (Reese Witherspoon) pela “Pacific Crest Trail”, trilha que corta os Estados Unidos da fronteira com o México até o Canadá. Mesmo sem nenhuma experiência nesse tipo de peregrinação, ela decide fazer o caminho após um período conturbado de sua vida.

A princípio é inevitável a comparação com o “Na Natureza Selvagem”, filme relativamente recente que atingiu o âmago de muitas pessoas e rapidamente atingiu um status de cult. Mas “Livre” é bem diferente, principalmente em escopo.

Enquanto o primeiro é uma abrangência bem universal, com a motivação para a jornada de fácil identificação: tocar o foda-se para um sistema escravizador. Soando de certa forma como uma propaganda a um estilo de vida livre das amarras da sociedade, com trilha sonora edificante e amplas tomadas de paisagens deslumbrantes.

Em “Livre” o foco é na personagem da Cheryl Strayed e a motivação se dá por fatos particulares da vida dela, que ao longo do filme são mostrados por meio de flashbacks.

O “livre” aqui está mais no sentido de se livrar de uma espiral autodestrutiva, que ela mergulhara em decorrência de um luto mal resolvido, para poder retomar um caminho que foi desviado. Não se trata de buscar uma liberdade idealizada.

Dadas as diferenças com “Na Natureza Selvagem”, deve-se afastar qualquer expectativa de obter uma experiência parecida assistindo “Livre”.

O filme também levanta questões acerca do feminino, como a vulnerabilidade de se viajar sozinha pela natureza, a tentativa de obter êxito numa tarefa que preponderantemente são os homens que tentam executá-la e sobre se apoderar do próprio corpo e ter o controle de seus desejos.

Contudo, o filme peca em algumas situações. Como utilizar aparições de uma raposa para ilustrar numa metáfora visual a conexão de Cheryl com o “selvagem”, o quê não ficou bem desenvolvido. E num momento de catarse pouco sutil, e por vezes clichê, no ato final.

Em fim, trata-se de uma boa e diferente história sobre superação, com boas interpretações, principalmente de Laura Dern, que faz a mãe de Cheryl no filme. E que talvez, do ponto de vista da empatia, agrade mais o público feminino ou quem tenha algum interesse em temas como depressão ou luto.

Nota: 7,5/10

IMDb: 7,2/10 – Metacritic: 7,6/10
Rotten Tomatoes Audiência: 7,6/10 – Crítica: 7,5/10—Top Crítica: 7,7/10

Ligações:
Uma História Real – tag: “viajando sozinho para cicatrizar feridas”.
Na Natureza Selvagem – tag: “pela natureza como um bom selvagem”.

Ficha Sintética:
Título original: Wild
Ano: 2014
Direção: Jean-Marc Vallée (Clube de Compras Dallas, C.R.A.Z.Y – Loucos de Amor)

Roteiro: Nick Hornby (Educação, também famoso por livros, como Alta Fidelidade).
Adaptado das memórias de Cheryl Strayed: “Wild: From Lost to Found on the Pacific Crest Trail”

Estrelando: Reese Witherspoon (Johnny & June, Eleição), Laura Dern (Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros, Veludo Azul), Thomas Sadoski, Keene McRae, Michiel Huisman (Daario Naharis de Game of Thrones).